terça-feira, 19 de maio de 2020

A Pandemia






Naqueles dias
tiveram medo
não se tocaram
ficaram em casa
cada um no seu quarto
onde o passar dos ponteiros
causava sobressalto
e lá aprenderam
que não conseguiam estar sós
que eram estranhos
numa terra restaurada
não os senhores
mas os filhos
ainda que adotivos
perdidos nesse paraíso
paraíso que iam maculando
nos rios que sujavam
nas florestas que queimavam
no ar que manchavam
mesmo sendo avisados
lá continuaram
até aos dias do grande medo
onde alguns aprenderam
e outros não...


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Auschwitz

"Auschwitz"


Nesse dia cheio de sol,
em que os pássaros voavam lentamente
como o tempo,
de um relógio que abranda, sereno,
chegaram hesitantes,
olhando aqueles canteiros cheios de flores,
Flores no esplendor da sua beleza,
sentiram esse cheiro que se exala,
mas não inebriava,
as flores cheiram a carne queimada,
carne que é pó, um pó seco insuportável,
e os pássaros são corvos,
de um olhar negro, baço,
se é que existem mesmo,
E os sons ao longe, são lamentos,
Lamentos que o vento transporta ainda,
Reprimidos por aquelas mães,
Que tudo advinharam,
E não existem mais.





segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O olhar...



"O olhar…"


Nesse leito,
recebi o último beijo,
o mais forte de todos,
que se perpetua ainda hoje,
e nesse esse breve olhar,
sorridente apesar de tudo e
em jeito de despedida,
mas que na realidade
quer apenas acompanhar-me,
como um som,
que se dilui,
no compasso do coração,
daqueles a quem,
o amor eleva,
dando ao tempo,
um significado vão.


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Estrelas que brilham

"Estrelas que brilham"


Não sei o que fazer dos pensamentos
pois são estrelas que brilham,
longe, muito longe, onde a escuridão aperta
e oprime em distâncias incomensuráveis,
mas que ainda assim se tocam
de uma forma misteriosa.
Dizem os antigos,
que a cola que os mantêm,
é o amor,
não esse romântico, mas o puro,
logo quimérico, felizmente,
onde o que não se vê
subsiste enfim, para além do princípio e do fim,
para além de tudo, até de nós.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A Alma


"A Alma"


Eu quero ser uma alma,
branca, mas não como a neve,
semelhante a aquela luz
que ofusca, e não magoa,
que cega, mas esclarece,
luz que termina de repente, 
todas as dúvidas, todos os medos.
Luz que guia pela mão,
sem sentir sequer o chão,
ou o destino e que ensina, 
que a escuridão
nada mais é, 
do que uma simples ilusão.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Pulsar da Terra

"Pulsar da Terra"


A lua sorriu lentamente,
nessa noite serena,
onde o orvalho era feito de luz,
esse orvalho que caía suavemente,
para pousar lânguido no chão.
Essa lua, que me compreende,
nesse sorriso, que só eu vi,
pois nele demonstrou conhecer-me.
Ela me falou através da brisa cálida, que aquece o interior,
esse instante onde a harmonia do universo
convergiu em mim, onde só o presente existia,
presente esse onde ouvi ao longe sons de
de tambores que ecoaram nas savanas,
e á luz das estrelas,
lançaram a sua mensagem,
a mesma que pulsa no coração da terra,
que pulsa no coração de nós.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Natal Presente


"Natal Presente"


O tempo passa rápido, muito rápido. Distraídos no presente, onde vivemos o amanhã, ou o ontem, e raramente o agora, ficamos admirados quando olhamos para trás, e os instantes estão vazios, onde apenas meia dúzia de lembranças preenchem vários e longos anos.
Aqui sentado, de noite, vejo pela janela, uma chuva fininha, parecida com um nevoeiro pegajoso, a cair suavemente no passeio. Lá caminha uma ou outra pessoa, sempre de passo apressado, embrulhadas nas suas gabardines levantadas até ao pescoço, onde mal se veem as caras. Todos carregam qualquer coisa nas mãos, um embrulho, uma saca, tudo muito bem chegado ao peito, como se receassem ser roubados ou levados pelo vento.

Aproxima-se a meia noite e estou só, com a cama por trás de mim, o crucifixo na parede e alguns livros velhos numa estante, que já há muitos anos perderam o seu valor. 

Reparo á distância nas luzes das casas e de alguns prédios comerciais, nesses cartazes enormes, onde figuras aberrantes parecem dançar, luzes que piscam fazendo lembrar as iluminações que antigamente se colocavam nas fachadas das casas e nos pinheiros de Natal.
Nessa noite todos nos juntávamos, era criança e corria pela casa, esbarrando nas pessoas sem estorvo, numa excitação crescente, que na realidade começava dias ou semanas antes.

Os preparativos eram lentos, muito lentos, desde o pedido das prendas que começava nos meses anteriores, até á grande noite. Aí, aguardava o tocar da campainha, e assistia numa alegria imensa á subida dos familiares pela escada acima, onde selava a sua entrada na casa, e nessa noite com um beijo.
Finalmente com a comida na mesa, as luzes ligadas, começava o grande espetáculo, teatro vivo, onde os afetos eram o mote. Uma risada aqui, um olhar acolá, uma conversa breve ou até um silêncio, tudo era guardado dentro de mim como um precioso tesouro desconhecido, que se tem e não se quer partilhar.

Quando tudo acabava, sabia sempre que no dia seguinte teria as prendas e novo almoço, tudo para me preencher. Aí sim o tempo prolongava-se, cada segundo era eternizado, e tinha a certeza de que tinha o meu lugar lá.
O tempo passa rápido, tudo tem o seu fim dizem, mas só envelhece quem vive, e só vive, quem ama, e quem ama, vive para sempre.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Enganos




"Enganos"


Pensas que leio sequer o que escreves?
enganas-te,
rio-me de ti
das tuas linhas, tiro nada,
como se uma folha em branco estivesse presente.
Os teus sonhos, são para mim
imagens vazias, nevoeiro apenas,
eu que não te leio
apenas te elogio
para que acredites em mim.
Acorda, não sejas vaidosa,
Pessoa e Camões morreram
E não voltarão jamais.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Ruínas

"Ruínas"


Aquela rua estreita,
íngreme,
onde apenas as silvas dizem presente,
espaços onde a natureza selvagem,
esconde o passado,
em ruínas dispersas de pedras, cheias de musgo,
subo lentamente a calçada
tocando nessas paredes.
Paro brevemente
ali, onde se construiu o presente,
ouço risos de crianças,
que passam por mim, sem me ver,
aqueles que viveram,
se perfilam de novo
como que para um retrato,
só aí me conhecem e
se evolam a sorrir,
num adeus sem palavras...

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Essência da Vida


"Essência da Vida"


A criança perdeu-se pelo mundo, e chorou...
perdida em cada olhar, chamou...
e então encontrou,
a essência da vida que era a sua,
e nela, todo o Universo desconhecido.
E só no fim...
com o coração cheio de amor,
abriu os seus braços
e sorriu...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Notas Musicais


"Notas Musicais"


Notas musicais
que ecoam na noite,
passos que se aproximam
timidamente...
Escuto vozes que conversam ao longe,
vislumbro agora
imagens que aparecem
como um filme,
refletidas nas paredes
da casa vazia,
e surpresa, sinto o cheiro
daquela comida
que logo se desvanece...
Avisto ao longe um raio de luz
que passa, naquelas portadas semicerradas,
percorro lentamente o corredor
expectante,
e aí estendo a minha mão
a essa luz,
que me leva ao passado,
viro-me para trás, sou criança e
corro alegremente,
até te encontrar,
onde sempre estarás.





segunda-feira, 12 de março de 2018

Pétalas do Outono


"Pétalas do Outono"


Pétalas do Outono
são como memórias perdidas
que se desprendem ao vento
e são levadas por um pássaro,
que voa só em silêncio...
Nele vai o meu coração
perdido por momentos
numa viagem ao passado,
recordações essas
que caiem ao mar
ou esvoaçam, embaladas pelo acaso,
até pousarem numa montanha qualquer
e aí ficarem
a germinar numa outra vida,
nela eu vivo,
eternamente...




Novamente criança


"Novamente criança"


Dá-me de comer, peço-te,
mas a comida
é algo secundário
pois o que me trazes
é amor,
nessa casa, agora vazia,
escuto ainda esses passos,
cheios de suavidade
um olhar terno, de insondável sentimento
como a luz que passa na árvore em frente
a mesma luz, o mesmo vento nas folhas,
os mesmos pássaros a chilrear,
espero ainda aqueles passos,
a anunciar, estou aqui
vejo-me ao espelho
surpresa,
sou novamente criança...




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Imagens do Passado

"Imagens do Passado"


A areia vai caindo lentamente,
olho para baixo
e vejo em cada grão
imagens do passado,
grãos que tento agarrar
mas que escorrem entre os dedos
sem eu querer.
Ainda os vejo
ali ao fundo,
com a mesma vida,
com o mesmo brilho,
imagens em movimento
presentes no presente...
Olho para cima, nuvens carregadas,
e chove, ainda que não me molhe...
levanto o braço e abro a mão
e eis que o céu se abre,
luz impressionante que tudo ilumina
agarro um raio de luz
e lá vou eu,
passado, presente e futuro,
fundido em mim,
finalmente, eu sou.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Estação da Saudade




"A Estação da Saudade"





Meu Amor,


Mesmo que nunca vás ler esta carta, acredito que as palavras podem de alguma forma chegar a ti, da mesma forma que o perfume das flores é sentido ao longe, e ainda que a flor não seja vista por quem aspirou o seu odor, ela lá está, a dizer a quem aspira o seu odor, que existe.
Dizem os sábios, que os pensamentos moldam a realidade, então certamente que as minhas palavras não precisam de ser conhecidas, pois o que penso todos os dias está pleno de ti.
Chovia…dei comigo a olhar para uma folha que caía indolentemente, no meio de muitas outras, mas aquela chamou-me a atenção, pois recordei-me daquele dia de Inverno em que te fui deixar à Estação, e estavas tão sorridente…Corri ao lado do comboio e ainda consegui tocar ligeiramente na tua mão estendida pela janela. Soubesse eu que era a última vez que te veria, com estes meus olhos…

Sonho todos os dias com esse momento, vendo-te a afastar para o Infinito, sempre cada vez mais e mais longe, mas nunca desaparecendo do horizonte, estendo então as minhas mãos, debruço-me e tento agarrar o comboio, esforço inútil pois logo tudo se transforma em folhas secas, que se desfazem num pó levado por um vento gélido.
O cenário transforma-se então numa espécie de terra ressequida, onde avisto ao longe algumas árvores sem folhas, vejo-me então perdido, tento pedir ajuda, mas não consigo proferir um som sequer.
Quando acordo e saio à rua, dou comigo novamente na estação a ouvir os comboios chegar, e imagino que me tocam no ombro, viro-me devagar e estás na minha frente, vejo o teu sorriso, como se não se tivessem passados tantos e tantos anos, e pudéssemos novamente caminhar pela rua fora de mãos dadas, onde o tempo não era mais do que uma palavra…

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Pérolas ao luar

"Pérolas ao Luar"


Deitado num mar de pérolas, contemplo o luar,
flutuo suavemente, de braços abertos,
uma brisa morna envolve o momento,
escuto o som do universo,
eis que passa um albatroz, num voo indolente,
Ao longe uma baleia solta um lamento, som de despedida..
Finalmente só...as ondas ecoam tranquilamente,
pego numa estrela cadente e voo pela abóbada celeste,
Toco nas estrelas que soam como notas musicais,
numa sinfonia imemorial e de paz...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Noite Serena


"Noite Serena"


Chove na noite serena
No Céu, estrelas que olham
Tranquilamente cá para baixo
Vendo o bulício dos homens
Que vivem hoje, o amanhã.
Indiferentes a tudo,
Esperando encontrar o passado,
Em fragmentos de lembranças,
Que não voltam mais.
Escuta…. Parou e chuva,
Eis o Arco íris!
Nele eu escorrego
Para os teus braços,
Onde não existe ontem,
Nem amanhã…,

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Brisa da Noite

"Brisa da Noite"


Lua que apareces
em tuas colinas me deito
Iluminas a noite
E refletes o meu ser,
Dá-me a mão e anda ver
O barco que se move lentamente,
A criança que sorri
E eleva as suas mãos ao horizonte,
A gaivota que passa,
num voo desenhado
a dizer-me adeus...
Escutas a brisa da noite?
composta por múltiplos sons,
são os sonhos de quem dorme,
feitos de esperanças vãs...

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O Bosque

"O Bosque"


Chovem suavemente, gotas de cristal,
No bosque onde tu e eu,
Lançamos pétalas, de todas as cores,
Às deusas antigas que há muito silenciaram,
E em árvores antigas, se tornaram…
Escuta…as fontes que gotejam,
Sussurrando lendas de amor,
Canções de lamentos, cheias de dor,
De quem para sempre, aqui ficou…
Dá-me a tua mão e vê a luz que passa,
E estreita na pedra, onde dançavam,
Aquelas, que o mundo criaram,
Ao som de flautas místicas,
Que não existem mais…

domingo, 29 de outubro de 2017

A ponte da solidão


"A Ponte da Solidão"


Porque me acompanhas, 
na ponte da solidão,
onde nada ressoa, 
apenas um vento indefinido,
onde as flores não crescem, 
nem os pássaros voam,
onde os sonhos ecoam, ao bater do coração.
Nem uma palavra sequer, 
a preencher o vazio de um pensamento,
imaginar a luz sequer, 
é somente ilusão...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sons do Passado

"Sons do Passado"


Passaram tantos anos, desde que naquela rua fomos crianças alegres,
Em bicicletas esvoaçantes, e risos brilhantes, onde não havia amanhã,
Fome nunca satisfeita de viver,
Cada passo era um poema, feito de notas coloridas nunca antes vistas,
E jamais ouvidas...
Não existia tempo, apenas o momento,
Infinitos que passavam,
Como as gotas da chuva,
Que cai agora na rua deserta,
Onde reverberam ainda, esses sons do passado,
Na gota que cai, na folha que se desprende da árvore
e rodopia suavemente, embalada pelo vento
até pousar gentilmente na calçada,
Onde tu e eu, passámos agora…

Música para adormecer os filhos

"Música para adormecer os filhos"


Lindo menino
Mar imenso, de paz
Olhar, sem fim
Ao fundo, de mim
Sei enfim, o que é amar.

Gestos, serenos
Olhar de luz
Reflexo, da vida
Sem medo, nem partida,
Sei enfim, o que é amar.

Lindo menino,
Flor, sublime
Sentido, perfeito
Do tempo, inteiro
Sei enfim, o que é amar.

A Página em Branco

"A Página em Branco"


Numa página em branco, passou um dia um lápis,
E deixou a sua marca,
Primeiro timidamente, com erros e hesitações,
Depois mais seguro, certo da sua intenção
Caminho e destino…
Até certo dia, já gasto e cansado,
Sem espaço para mais, exceto um pequeno,
Insignificante espaço em branco,
Olhou para cima e resumiu
Na palavra
Amor…
Essa página, levada pelo vento,
Perdida da vista, sem rumo nem destino,
Onde está agora….
No livro da vida, talvez?

Conto de Natal

"Conto de Natal"


“Foi um dia à noite ao chegar a casa, que dei comigo a recordar quando os meus pais eram vivos, e na alegria daquelas noites inesquecíveis em que se juntava a família para celebrarmos o Natal.
Desde que me lembro, sempre me fascinou essa época, a excitação de abrir os presentes, as gargalhadas perdidas na noite e o sabor que ainda hoje sinto dos pastéis que a minha mãe fazia.
Desde esses tempos, que para mim esse dia perdeu o significado, sendo algo de absolutamente banal.
Todas essas recordações pertencem já ao passado e preparava-me para passar mais um Natal sozinho quando fui para o meu quarto e liguei o computador.
Devo confessar que para mim, o computador tem sido algo que substitui um verdadeiro amigo e o meu relacionamento com o mundo exterior.
Passo dias e noites inteiras, navegando e comunicando com dezenas de pessoas, sendo isto tudo um refúgio e algo que vinha substituindo a realidade.
Lá fora as ruas estavam desertas e a neve amontoava-se nos passeios. Começava a cair um nevoeiro que pouco a pouco tudo encobria.
Observava ao longe as árvores enfeitadas pela Câmara Municipal quando me sentei ao computador.
Sorri com surpresa ao ver que tinha recebido muitas mensagens de Feliz Natal dos meus amigos virtuais.
Pensava nessas pessoas que todos os dias falava mas que nunca via e senti alguma tristeza.
Qual o meu espanto quando ao tentar ligar-me com alguém, verifiquei que não encontrava ninguém e imaginei-os á volta da mesa com as famílias numa alegre cavaqueira e abrindo os presentes.
Grande tristeza se apossou de mim e preparava-me para dormir quando recebi um sinal que alguém me queria falar.
Corri apressado pelo quarto, liguei o monitor quando vi que alguém me enviou algo e subitamente desligou.
Desapontado, preparei-me para ler o que pensava ser mais uma mensagem de Boas Festas, quando me espantei ao verificar que era uma imagem.
Ainda hoje não sei quem me enviou aquilo, mas tal modificou a minha vida, compreendendo eu agora o seu verdadeiro significado.
Quis contar-vos esta história incrível mas verdadeira que me aconteceu, para que vós possais compreender o que realmente é importante.
Na fotografia distinguiam-se duas pessoas sorrindo para a câmara ao lado de uma mesa.
Ao fundo um miúdo brincava com algo ao lado de uma árvore de Natal.
As duas pessoas eram os meus Pais, e o miúdo era eu."

A Folha caída

"A folha caída"


Na berma daquela estrada movimentada, estava só uma árvore.
Enquanto os carros passavam e pessoas caminhavam apressadamente, soltou-se uma folha seca, que rodopiou suavemente, e embalada pelo vento, pousou no chão.
Que história é a tua, folha caída, desde que nasceste, até agora, calcada pelos pés de quem passa...
Essa folha, uma entre tantas, que ali nasceu, desenvolveu, secou e caiu suavemente, e por fim, no chão para sempre ficar, na indiferença de todos, a ti digo-te,
A tua forma, cor e beleza, nunca mais encontrei….

O Trabalho

"O Trabalho"


Triste fado da Nação
Que não tem do seu passado
A menor recordação
De qualquer antepassado

Muita gente vai sem tino
À vida sem contribuir
Pelo labor do vizinho
Açambarcam o seu porvir

O trabalho é uma bênção
Ainda que no dia-a-dia
Aparente a ilusão
De não ter uma alegria

Pai Nosso

"Pai Nosso"


Pai nosso que estás no Céu
Rogamos-te com fervor
Que no nosso dia-a-dia
Nos perdoes com Amor

Santificado seja o Teu nome
Para toda a eternidade
E também o do Teu filho
Que nos deu a imortalidade

Venho a nós o Teu Reino
E a tua salvação
A nós que a Ti vamos
Queremos-te com Paixão

Seja feita a Tua vontade
Mesmo quando não quisermos
Mas que nunca nesta vida
Do Teu nome duvidemos

O pão nosso de cada dia
Que nos seja concedido
E sem cobiça possamos
O dar ao desprotegido

Perdoai-nos as nossas ofensas
Com a Tua compaixão
E ensina-nos a amar
Com igual comiseração

E não nos deixeis cair em tentação
Nem nas redes do pecado
Dá-nos sempre a esperança
E Teu filho ao nosso lado

E com Amém adorámos
O Sagrado nome do Senhor
Para Santos também sermos
E perfeitos no Amor

Esperança

"Esperança"


Naquele momento breve
Passou lesta uma emoção
Pois uma criança sorriu
No meio da multidão

E na emoção que passou
A rosa vermelha se abriu
E como uma pomba branca
No ar seu perfume subiu

E nesse segundo breve
No sorriso da criança
Viveu-se na multidão
Uma nova esperança

Mensagem do Além

"Mensagem do Além"


A Vida é breve, mas aquilo que vivi, foi eterno.
Antes de eu nascer, pertencia á eternidade. Agora que parti, reencontro outra vez a eternidade. Aquilo que vivi, vivi  para sempre, e aquilo que amei, amei eternamente.
Vejo-te chorar mas não fico triste, pois agora sim, vejo que as tuas lágrimas irão transformar-se em alegria, assim que nos encontrarmos.
Sabes que na eternidade, uma vida inteira dura menos do que um segundo, mas nos segundos que aí vivi, e no bem que deixei, vivi uma eternidade.
Agora sim compreendo, que nunca existiu ninguém igual a mim no mundo, nem existirá jamais, pois todos somos obras primas de Deus e assim, temos um valor incalculável, não aos olhos dos homens, mas aos olhos de Deus.
Pudesses tu ver o que eu vejo, e não terias medo. Daqui tudo é belo, e da própria tristeza e mal, nada há que não se venha a transformar em bem.
Eu ouço tudo aquilo que me dizes e respondo-te, não da forma imperfeita dos homens, mas na única linguagem que agora falo, a do amor.
A vida na terra, é como que um sonho que passa a correr, mas agora acredita, estou acordado, por isso digo-te até breve…

Páscoa

"Páscoa"


Nunca se viu nada igual na cidade.
Naquele dia, todos deixaram os seus ofícios, para assistir á acusação de um homem que alegou ser o filho de Deus.
Esse homem, conseguiu mesmo juntar alguns seguidores, que agora dispersaram.
Foi breve a sua condenação e agora às pressas, cada um procura o melhor lugar para ver o seu fim
Vi-O passar devagar, por aquelas ruas apinhadas com a multidão aos gritos de escárnio.
Os rostos cheios de ódio e raiva. Então, quando até eu estava prestes a gritar e insultar, Ele, tombou á minha beira.
Ajoelhado, respirava ofegante. Uma ou outra pessoa agrediu-O na cara com bofetadas, outros insultavam-no ao ouvido.
Quando me aproximei, Ele olhou brevemente para mim.
Naquele momento, tudo ficou silencioso, pois naquele olhar, algo me prendeu e me mostrou num instante quem eu era, e quem eu poderia ser.
Naquele instante, vi que todos os mistérios da vida e da morte eram respondidos por um Amor insondável.
Naquele olhar, perdoou-me verdadeiramente.
Dizem agora que Ele está morto.
Não o creio, pois desde aquele dia, parece que o ouço a falar-me e a incentivar-me a segui-Lo, ainda que por caminhos tantas vezes contrários á razão.
Esse homem, chama-se Jesus.

Os dias lá passam

"Os dias lá passam"


Os dias lá passam
E eu sem saber
O que hei-de dizer
O que hei-de fazer

Em cada instante
Que te vejo passar
Encontro enfim
Razão de esperar

Julgas saber
O que estou a pensar
Mas digo-te agora
Estás-te a enganar

Olha no céu
A nuvem que passa
Parece uma imagem
Mas não passa de nada

Serás como a jarra?
Que quebra no chão
De tanto ir á fonte
Ou espero em vão?

A rosa caída...

"A rosa caída"


Vi uma rosa caída no muro de um jardim.
Uma rosa, com as pétalas escurecidas
Algumas já levadas pelo vento, para onde, não sei...
Nessa rua movimentada, no meio da multidão e do trânsito,
esquecida nesse muro, eu reparei em ti...
Certamente pensas que não foste importante na tua vida breve,
pois nesse jardim, eras apenas mais uma, com a mesma cor, a mesma forma
, cheiro e tamanho, no meio de tantas outras iguais a ti.
Quando eras apenas um botão, e não tinhas visto o mundo, tinhas tanta esperança
de poder ser diferente.
Assim que ficaste uma flor, julgaste ser igual a tantas outras…
Mas foi ao sentir ao longe o teu perfume, que um par de namorados deu o primeiro beijo,
foi ao ver-te de relance, que um idoso recordou o seu primeiro amor e sorriu,
com o teu néctar, abelhas polinizaram um jardim distante, onde uma criança brinca agora,
na tua beleza alguém reparou, e esqueceu a tristeza que sentia.
Rosa caída, no muro de um jardim,
um pouco desfeita e levada pelo vento,
Fizeste alguém feliz…

Caminhando na rua

"Caminhando na rua"


Sem saber o que fazer
O homem decidiu andar
Contemplando o céu
Pensando em quem amar

E enquanto caminhava
Nos rostos ia olhando
E para sua surpresa
Tudo se ia modificando

Pois em cada um de nós
Existe uma luz brilhante
Se o coração aberto
Estiver expectante.

Natal

"Natal"


Há muito e muito tempo,
Avistaram grande Luz,
Em Belém, no firmamento,
A dizer, nasceu Jesus!

Todo o povo saiu a olhar,
Essa Luz de esplendor,
Mas não foram adorar,
O Menino Redentor.

Vamos todos festejar
O Natal que aí vem,
Com o Amor a reinar,
E com muita Paz também.

O Amor

"O Amor"


Amiga,
Deita-te comigo, devagar…
Dá-me a tua mão,
E vem comigo ver naquele lago,
Os cisnes que passam ao longe, entre a névoa, suavemente...
Vem pintar comigo, aguarelas de cristal!
E acordar num campo de flores, de todas as cores,
Vem viver aquele instante...
Em que os meus olhos, alcançaram os teus
Num mundo sem tempo,
Eternamente…

Violeta

"Violeta"


A vida é um segundo
mas a amizade que tenho por ti, é eterna!
amiga, não te esqueças...que o arco iris nasce sempre
que olhes para o céu......
Sonhei um dia que caminhava nas nuvens brancas, ouvi
o canto dos anjos e o som das harpas, as nuvens
afastando-se ao sabor do vento,
adormeço...
Olho em volta e vejo a escuridão,
Sinto mãos a empurrar-me e não vejo ninguém...
Bate-me uma brisa suave na face, num instante lembro-me
do grito das águias voando no desfiladeiro,
cheiros de milhares de sentidos se sentem num instante..
Não sentes amiga, a brisa soprar perto de ti
a cada instante?
Quando não vires......sente.....que sou eu ao teu lado....

Flautas

"Flautas"


Falei contigo dias sem te ver
não te vi com a imaginação
mas vi com o coração.....
o teu espirito voar com as águias sobre as montanhas
vi um jardim de milhares de cores e sensações....
vi um bosque místico, o som de flautas a ouvir-se ao longe
Não vês amiga, a terna amizade que poderei ter por ti?
vive um sonho!
na realidade....

A Alguém que já não é...


"A Alguém que já não é"


Acordei de noite. Onde estás?
O vento passa nas faces da lua...atenta
As árvores escuras agitam-se...frio
escuro...
Uma recordação...traz-me de volta
Tu
a tua cara...suave
O teu olhar...lancinante
Ouço a tua voz. Silenciosa
As tuas mãos ...onde estão?
Durmo...
Um novo sol nasceu
Sem ti...

Imaginação

"Imaginação"

Olhos castanhos,
Fecha-os e vê,
a cada instante
o por do sol, quente, escurece, lentamente,
as gaivotas levantando da praia, o som ao longe,
fecha os olhos, respira fundo,
vê a criança sorrindo no colo da mãe,
sente a cada instante, o cheiro do orvalho ao amanhecer,
a terra molhada, o piar dos pássaros...
clareia o dia
liberdade
o tempo passa lentamente
em cada instante
sente a felicidade

Um Sonho em Azul

"Um Sonho em azul"


Um sonho em azul,
coberto de névoa...
uma flor...á escuta do vento,
um pássaro que voa ao longe, sozinho...
o teu olhar,
ao fim da tarde,
tão lentamente...
levou-o o mar...
num sussurrante suspiro.

Sonho Enevoado

"Sonho Enevoado"


Deitei-me num mar
de pétalas azuis, em que
alcancei os teus olhos,
com uma aura de silêncio e paz.
deitada te vejo a sorrir, distante
no meio da multidão
dizes-me sussurrando...
Porque não existem dois
malmequeres iguais?